Excerpt for Quarenta Sonetos Sem Pecados by Antonio Kleber Mathias Netto, available in its entirety at Smashwords

QUARENTA SONETOS SEM PECADOS

Poesias

Antonio Kleber Mathias Netto

©Editorial Emooby, 2011

QUARENTA SONETOS SEM PECADOS

By Antonio Kleber Mathias Netto

Published by Editorial Emooby at Smashwords

© Copyright 2011 Editorial Emooby

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Table of Contents


Dedicatória

HOMENAGEM

Impressões sobre o trabalho literário de Antonio Kleber Mathias Netto

UM DIA...

O BEIJO

INSPIRAÇÃO

SINFÔNICA DA FOME

PROVAÇÃO

ANTES QUE SEJA TARDE

DEGREDO

O PRAZER

APÓS, O OLOR QUE ALENTA

AMOR AUSENTE

O RITO DOS ZANGÕES

VIBRAÇÕES

SENTENÇA DO AMOR TRAÍDO

A FONTE DO DESEJO

PRISIONEIRO

PROCESSO DE PRAZER E CRIAÇÃO

AUSÊNCIA

SILÊNCIO ANSIOSO

PARA O AMOR SEM SUBSTÂNCIA

AO FIM, SOLIDÃO

OLÁ, PRAZER!

ABANDONO

AO ANOITECER

TRILHA DOS PRAZERES

RECORDAÇÕES

É TARDE

AMORES VIRTUAIS

ENFADO

ALGOZES NOTURNOS

LAMÚRIA

RECANTO DAS ROSAS

OUTRA TEMPESTADE

LÁBIOS

O AMANHÃ É MISTÉRIO

RONDA

SENHORA DA EMOÇÃO

HAVERÁ UMA SAÍDA?

NO AMOR, O MAIS-QUE-PERFEITO É VIVER

MEU PORTO SEGURO

DAR-TE-EI O UNIVERSO

PARTIR

INFINITO

DESISTÊNCIA

VELHA PORTEIRA

DESTA VEZ, VEM E FICA!

ALMAS ENFADADAS

ENCONTROS CLANDESTINOS

É ASSIM ÀS VEZES

TEMPO ACABADO

O AGORA É NOSTALGIA

EXPETATIVA

UTOPIA

DESPERTAMENTO

ORGULHO

REIVINDICAÇÃO

TULIPAS

QUIMERA

NADA RESTA

DEGENERAÇÕES

EM PARTE

ARTISTA PLÁSTICA

PARTIDAS SUCESSIVAS

AMOR E VIOLÊNCIA

FUNERAIS

GEMIDOS

LATIFÚNDIO IMORAL

LIBIDO ARROJADA

GANHARÁS O UNIVERSO

SONHO RARO E LEDO

SOLUÇÕES

PECADOS

DESCANSO

O HOMEM DO MAR

ANCIÃO ESMOLEIRO

ROSAS

PLANTAÇÃO DE TULIPAS

NÃO DEMORES!

DISCURSOS INCONSEQUENTES

HIPOCRISIA

DESTINO

TEU ÚLTIMO OLHAR

ANTES QUE AMANHEÇA

LEGADO

OLHA ATRÁS

CARNEIRO DAS SUCESSÕES

SENSUALIDADE

TUA BOCA

SERVIR DE LIAME ÀS GERAÇÕES

HEREDITARIEDADE CORROMPIDA

CÓDIGO PENAL PARA OS HONESTOS

TRAGÉDIA DOS POETAS

IMPRESCRITIBILIDADE

FOME

INDIGNOS

DESILUSÃO

PERITAS RATAZANAS

ABISMOS DO INFERNO

ESPERANÇAS

DESEJO

ARREMEDOS E PATIFES

INSINUAÇÃO

TRAMA

VENTURA ACESA

VERMES

FOGO-FUGA

SUBTRAÇÃO DA FÉ POPULAR

DE VERSO EM VERSO

BANALIDADES

COBAIAS

UM POEMA DE VERDADE OU À VERA

...E TU NÃO VENS!

PENÚRIA

DOIS BARCOS

O GATO BRANCO

AOS PECULATÁRIOS DA REPÚBLICA

SAUDADE

VEIAS SEM SANGUE

AMOR INDESEJADO!

AMOR QUE SE ESFUMA

SONEGAÇÃO

SOMBRAS

PÁRIAS

ACEITAREI O FADO

DEUS POR UM SEGUNDO

NOVAS PELEJAS

CHÃO

ROMPENDO ESTRELAS

MURMÚRIO

DE REPENTE

ÊXTASE COM ARTE

LEMBRANÇA

NÃO ME DEIXES À ESPERA

VAMOS, ACORDA!

SOLITÁRIO

DANDO UM TEMPO

NÃO ME CONDENEM, NEM ME ABSOLVAM!

LABAREDAS

INJUSTIÇA

SILENCIAR

DESERTO FRIO E ERMO

RAROS ENCONTROS

ESTÁS PRESENTE

A FOME QUE MATA

REIVINDICAÇÃO

ESPERAS

Outros comentários após publicação do livro

Biografia


2007

QUARENTA SONETOS SEM PECADOS

Poesias

REVISÃO: Professora Cecília de Oliveira

CAPA: Artista Plástica paranaense Guiomar Baldissera

2ª Edição

(Revista e Aumentada)

Editora Zem

Teresópolis – RJ – 2007

QUARENTA SONETOS SEM PECADO

Todos os direitos reservados. Copyright © Mathias Netto, Antonio Kleber

FICHA CATALOGRÁFICA

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE

SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ

M379q

2.ed.

Mathias Netto, Antonio Kleber

Quarenta sonetos sem pecados / Antonio Kleber Mathias Netto – 2.ed. ver e aumentada. Teresópolis, RJ: ZEM, 2007.

162 p.

ISBN 978-85-99270-04-2

Poesia brasileira. I. Título.

07-0626 CDD: 869.91

CDU: 821.134.3(81)-1

27.02.07 - 02.03.07 – 000599

Dedicatória

Ao estimado irmão, Luiz Fernando Mathias Netto, que de algum lugar de paz me transmite energia para enfrentar os mistérios da existência. Talvez impressões de atos e palavras remanescentes, fruto de sua boníssima alma. Dói-me a fugacidade de teu convívio entre nós.

Creia, ainda há muito sofrimento a ser banido!

HOMENAGEM

Por Que Morri?

Se, ó virgem, teus olhos travessos, tão lindos

têm mágico encanto que prendem-me a ti,

não sei! – Mas afirmo que vivo e não vivo

depois que esses olhos formosos eu vi!

Se é vida passarem os meus dias e noites

e eu ter-te na mente, pensar só em ti,

distante do mundo no mundo vivendo,

assim é que eu vivo depois que te vi!

Não posso, donzela, não posso dizer-te,

se acaso estou morto, por que é que eu morri...

Mas vai-me um suspiro fugindo do peito

dizendo baixinho que morro por ti...

Ai! Dize, donzela, como é que teus olhos

num simples relance puseram-me assim?

Não rias! Responde se vivo ou não vivo,

e, se é que estou morto, por que é que morri?

(Ignácio Giraldo Mathias Netto, bisavô do autor, escrito em 1875)

Impressões sobre o trabalho literário de Antonio Kleber Mathias Netto

“Rio de Janeiro, 17 de junho de 2008.

Prezado Senhor.

Agradeço a remessa de “Tuna” - livro de poesias de sua autoria, de 2008, em que o escritor, depois de enveredar pela seara de contos em outras obras, volta agora à poesia. Ao lhe desejar sucesso pelo livro “Tuna”, informo a V. Sa. que o exemplar enviado a esta Presidência da Academia Brasileira de Letras foi encaminhado à Biblioteca Rodolfo Garcia, onde ficará à disposição para consultas entre os estudiosos. Atenciosamente, Cícero Sandroni”.

CÍCERO SANDRONI, Jornalista e Escritor. Presidente da Academia Brasileira de Letras - ABL.

#

“Prezado Antonio Kleber Mathias Netto.

Muito obrigado pelo belo “Tuna” que você gentilmente me enviou e que dá testemunho de um enorme talento. Parabéns. Grande abraço do Moacyr Scliar”. Médico Sanitarista, Escritor. Membro da Academia Brasileira de Letras – ABL – 2008.

#

“Sinal Vermelho” é um livro adulto! 27.09.99.

Prezado amigo Antônio Kleber:

Li, no final de semana, o seu atraente livro de contos, em parceria com o Everaldo Botelho Bezerra. É um gênero pelo qual tenho grande simpatia. E vocês o dominam, como demonstram, por exemplo, em “O Menino Carvoeiro” ou em “Alerta Geral”. Fiquei completamente fascinado pela leitura. Envio-lhes um grande abraço de felicitações. Do amigo Arnaldo Niskier.  Rio – 27.09.99”.

Do Educador, Jornalista e Ensaísta Arnaldo Niskier, membro da Academia Brasileira de Letras, sobre o livro de contos “Sinal Vermelho”, em parceria com o Escritor Everaldo Botelho Bezerra.

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“Meu prezado Mathias Netto.

Muito grato pelo envio de “À Sombra do Barbaquá”, que começo a folhear com inequívoco interesse e prazer de leitura. É sempre bom saber que ainda se escrevem bons romances neste País, onde pouco se lê e menos se escrevem coisas que de fato valham a pena. Grande e afetuoso abraço, do seu Ivan Junqueira.- Rio, 14.07.2005”.

Crítico Literário, Ensaísta e Poeta Ivan Junqueira, membro da Academia Brasileira de Letras, sobre o romance “À Sombra do Barbaquá” (2005)

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Admirei o seu estilo literário! Fascinei-me pelo seu poema, pelo cadenciado harmonioso dos versos, riqueza de rimas e palavras; por retratar as emoções e sentimentos com pinceladas de expressões fortes. Como um pintor impressionista que sabe usar as cores, você mostra as palavras como aquele também o faz, usando a tinta. Continue escrevendo!” Márcia Pinto - Salvador – Bahia - marciapintinho@ig.com.br

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“Seu soneto é lindo. Você é, de fato, um grande escritor. O estilo, o léxico, tudo é de primeira grandeza. E, mais importante, você parte da imaginação e não do seu real estado físico e psicológico. Aí a coisa fica, ainda, mais difícil ... Um enorme e saudoso abraço”.

Professor Helter Barcellos  - São Gonçalo- Estado do Rio de Janeiro http://www.orkut.com.br/Scrapbook.aspx?uid=2042937318459212953

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Kleber! Gostei de seu soneto “Espera”. Parabéns! A métrica é perfeita, um decassílabo de primeira! Um abraço para você também! Tales Mendonça – Recife – Pernambuco - talesmen@gmail.com

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Oi, caro poeta! Tenho acompanhado, na medida do possível, teu trabalho. Parabéns e obrigado por existir pessoas com a sensibilidade apurada como a tua. Um abração!” Ataulso Veríssimo – Porto Alegre - RS - atarverissimo@gmail.com

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“A poesia de Antonio Kleber é diferente. A gente lê e fica com ela na cabeça o dia inteiro. Há sempre uma interpretação nova, um outro caminho. Gosto disso.” Genivaldo Martins da Silva - Maceió – Alagoas. (Sem endereço)

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Grande poeta, pela mansidão de suas palavras. Privilegiada sou eu, por tão doces poemas receber! É como se entrasse pela rede vasta da Internet um anjo poetizando em fibras óticas. Saber lidar com palavras, são poucos; transmitir emoções através delas... são raras as pessoas. Você é um grande poeta; suas palavras, hei de espalhar, como o vento que semeia flores”.Grace Donata. São Paulo – SP - rapunzel_vivi@yahoo.com.br

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Oi, amigo Kleber! Puxa! Estou diante de um verdadeiro poeta! Como são lindas as coisas que você escreve! Adorei, simplesmente! Tenha uma ótima semana e fica com Deus! Bjs no seu coração!” Leolina Maria – Boa Viagem – CE - leolina.maria@hotmail.com

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Adoro o que você escreve! É tudo o quanto gosto de ler, de verdade. Sempre estou lendo e apreciando”. Rivaldo. Aracaju- Sergipe. rivaldoblj@gmail.com

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“Tenho lido muitos poemas desse nosso incrível poeta. Cada poema é como se me embriagasse com as palavras; muitas me trazem... conforto e paz!  Agradeço a oportunidade de poder ler seus poemas”. Silvana Marcolino. Londrina  - Paraná.

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“É um poeta que extrai da alma poesias bem elaboradas. É um grande poeta!” Alexandra Lamonier - São Luiz – Maranhão.

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Vou guardar em arquivo esta peça rara: OLHA ATRÁS, um de teus melhores sonetos, segundo o gosto de leitor exigente. Não tem a afetação de palavras castiças, possui o veio coloquial da contemporaneidade. Aquilo que acho que o Mario Quintana fez como ápice de sua meritória obra: dar dignidade poética à prosa. Dentro desta ritmo, metáforas e metonímias, síntese, sugestionalidade, imagística e transcendência. Este só tem de clássico o formato, e, ao lê-lo, a apresentação formal desaparece, permanecendo o que é poesia, alma, espírito. Estava com vontade de dizer isto de há muito, ao conviver, neste sítio de relacionamento, com os teus belos e formalmente perfeitos sonetos. Percebo que neste te libertaste da forma, beijando a Poesia, a arte dos condenados ao pensar. Sim, porque não basta a tal sensibilidade, é caso de aplicação de inteligência para cooptar a sensibilidade de quem lê a obra e que pode vir a se apossar dela. Esta é a função do poema: viver no coração do homem, o outro!

Com o apreço de sempre, o poetinha Joaquim Monckes”.

Escritor Gaúcho Joaquim Monks

#-

“Desde há alguns anos, tive despertada minha atenção para a produção literária de Antonio Kleber Mathias Netto. Admirava-lhe a sua capacidade criativa de grande uniformidade; as suas convicções firmes; sua maneira de dizer; mas, sobretudo, sua clara condição de poeta, dada a musicalidade de suas frases... Mas, em verdade, atrás de sua granítica veemência reformista, oculta-se um espírito humanista inconformado. E é quando surge, a cada passo, o poeta exuberante que sabe fazer música com as palavras e se comunicar com as almas sensíveis”.

Jornalista Rubens Amador, cronista. Pelotas - RS.

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“Detentor do conhecimento e do talento, Antonio Kleber Mathias Netto caracteriza-se por um estilo ousado, profundo e prazeroso. Atrevidamente, massageia nossas emoções, dando-nos consciência plena do que é transmitido através do que escreve.

Dá ênfase à Literatura que enriquece os sentimentos e a consciência de cidadania. Com seu estilo próprio, uniforme e focado no equilíbrio entre a razão e a emoção, encanta o leitor, convocando-o a encarnar no contexto da narrativa, vivenciando-a realmente.

Enal-TECE o AMOR  de forma bela e convincente. No dinamismo de sua inspiração, atualizada e preocupada com a  perfeição ao expressar os sentimentos através das letras, busca novas descobertas e, ao fazê-lo, emergem novos sentimentos e atitudes. Isso faz com que alcance, cada vez mais, a plenitude de seu estilo peculiar de descrever, impregnado de autenticidade no catalogar as emoções vividas pelo ser humano. É, sem dúvida, um escritor, cuja veia poética o transforma, através da garra, da coragem, da determinação e da sabedoria, num dos maiores escritores-poetas de nosso tempo.”

Poetisa Dáguima Verônica  - Santa Juliana - Minas Gerais

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“Antonio Kleber, você sempre explora universos imaginários, ou denuncia o que acontece diante de nossos olhos, em poesia.

Seguro de suas posições, é suficientemente autêntico! Você, que em poesia fala com cuidado de amor, paixão, pele, da desumanização generalizada do nosso tempo...

É incrivel a sua multiplicidade de faces! É praticamente impossível negar a emoção que sinto ao te ler; suas palavras chegam no fundo da minha alma.

Obrigada por compartilhar e ser essa pessoa encantadora! Poeta pleno, amigo especial!

Cláudia Gonçalves, Poetisa - São Lourenço do Sul - Rio Grande do Sul 07/2006.

#

Consagrado de alma e corpo, de pulso e cérebro, à causa dos fracos, dos perseguidos, compreende e justifica a raiva de seus delatores. Homenageado pela massa popular, ele não tem tempo para olhar a máscara repugnante dos encasacados. Quando pisado na sua honra, assemelha-se a um leão bravio a correr de extremo a extremo das selvas. Aprendeu a chicotear com o verbo os fariseus deste século, alguns conhecidos como verdadeiros vilões. É no combate que se sente bem. É destruindo esses castelos de lama, erguidos pela aristocracia do delito, pelos comparsas dos crimes sociais, políticos e religiosos, que sente vibrar seus nervos. Sua literatura é uma síntese de humanismo e de revolta, onde sobressai, acima de tudo, a verdade em toda a sua magnitude”.

Jornalista e poeta Juliné da Costa Siqueira, membro da Academia Sul-Brasileira de Letras.

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É crença de muitos que se deve separar o homem do artista. Relativamente a Antonio Kleber, não se aplica a assertiva generalizada. Ele é, no gesto e na atitude, no dito e no feito, no sonho e na realidade, sempre o mesmo: veraz, corajoso, apaixonado... Pautando suas ações pela cartilha do mais puro humanismo, Antonio Kleber convive com grandes e pequenos, com ricos e pobres, com fortes e fracos, sem que isso o perturbe. Vale a pena ler suas mensagens, deixar-se impregnar de sua beleza e concluir que, felizmente, nem tudo está perdido enquanto existirem poetas do quilate de Antonio Kleber”.

Poeta Clóvis Almeida Alt, membro da Academia Sul-Brasileira de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico de Pelotas.

#

Recordações é a típica obra onde o poeta “brinca” com a intelectualidade de alguns leitores e com o poder de imaginação de outros. Ímpar, nos leva a um labririnto de emoções onde as saídas fundem portas e portais. As entradas levam para muitos lugares. Sem querer ser prolixo, explico: Ao mesmo tempo que pensamos em recordações temos uma leve sensação de... desejos. O poeta pegou a caneta com força, mas na hora de desenhare as linhas foi tão suva a ponto de manter o leitor preso entre um sinal de recordação e uma imagem de desejo. Realmente ímpar, realmente muito bom. Aliás, as obras do poeta são sempre bem-vindas e muito boas. O lirismo empregado para apresentar a visão do eu-lirico é compassado e - não sei se somente eu - gostei muito de poder sentir a soberania da paciência no sotaque do povo do norte/nordeste do nosso país.Dor sim, mas sofrimento nunca! Parabéns pela obra, poeta. Bela!

Abraços fraternais”.

Poeta Szir GanoN Bhòrjia

***

Temo inteirar-me dos diagnósticos de meus males. No fundo, há amargores corroendo a alma e mágoas minando o coração. Mantenho luta renhida para conquistar a superfície e ser feliz.

UM DIA...

Do teu corpo, percorro a geografia;

como o vento, te envolvo por inteiro.

As carícias e o beijo verdadeiro

renderão homenagem à fantasia.

Na trilha da volúpia incandescida,

atiro-me em sentido alentador,

do êxtase fazendo-me senhor,

ante a aventura da alma ensandecida!

Sou livre, e a liberdade conhecemos!

Por isso, não importam tais momentos...

Mas nunca esquecerei teus ais profanos!

Desejarás, um dia, o que vivemos:

realidade fugaz dos sentimentos,

cheios de paz, de gozo e amor insano!

O BEIJO

Guardo teu beijo, terno beijo, na memória.

No outono cinza, a despedida, último adeus,

como se foras sem deixar-me uma esperança

de reviver o teu carinho e os lábios teus!

Amargurando o teu partir, restou-me o beijo.

Sonho desfeito, nem as folhas esqueceram,

no farfalhar, de relembrá-lo nas canções,

brincando algures junto às brisas outonais!

As estações se sucederam desde então!

Alma constrita, olhar perdido no horizonte,

dei-me ao letargo dos impulsos lascivosos!

Trago a utopia de uma espera que me aturde!

Cedo o destino e a vida; ao tempo, entrego a morte,

mas na esperança de beijar-te uma outra vez!

INSPIRAÇÃO

Mas eis que a inspiração que se ausentara

agora se aprochega à noite fria,

confortando minha alma tão vazia,

nutrindo o sentimento que não sara.

Recebo-a na cadência dos encantos,

tecendo as ilusões do amor ansiado.

Do meu desejo, emerge augusto fado;

do verso, brotam luzes, brotam cantos.

A inspiração colheu-me, desta feita,

centuplicando temas esquecidos

num passado de sonhos fenecidos!

No tremor da emoção que me sujeita,

escrevo este poema à musa eleita,

mas só, sob amargor imerecido!

SINFÔNICA DA FOME

Na procissão desesperada dos aflitos,

escorraçados pelo açoite das promessas,

segue a lamúria, segue a dor e segue o pranto,

na reza atônita que abisma as emoções.

Quais trapos vivos que outros trapos repudiam,

olhos profundos pela insônia repetida,

vão-se no atroz revezamento da vigília,

buscando ao longe a luz de novas esperanças.

Nessa ginástica de olímpica cruzada,

aproximando-se aos funéreos vendavais,

caminha o séquito faminto e pessimista.

Na sorumbática e espantosa osteografia,

vai-se o epidérmico chocalho de ossos vivos,

na monolítica sinfônica da fome!

PROVAÇÃO

Instala-se um silêncio de mistério

no coração tomado de aflições.

As multifacetadas emoções

encontraram repouso em monastério.

Antes assim: razão, tino e torpor

sirvam de manto augusto ao meu critério,

revelando ao desejo a luz do império

de uma força maior que o próprio amor.

Se no amanhã da espera tão renhida

eu colha os louros desta intensa lida,

festejarei as dádivas com vinho!

Mas, se em lugar do prêmio e da guarida,

eu receber as dores sobre o ninho,

aceitarei sofrer sob os espinhos!

ANTES QUE SEJA TARDE

Não quero sucumbir com minhas ânsias,

andrajo dos sentidos, forasteiro

à espera de um amanhã que nunca chega,

mergulhado em quimeras e esperanças!

Levem-me daqui, já! Levem-me logo,

enquanto ainda não sinta a escuridade

das noites frias, noites de relento,

destruindo a carne nua ao desabrigo!

Há limo nos escombros da minha alma.

Vê-se, pois, como antigo é o sofrimento

que devassa de ponto a ponto o ser!

Desejo, pois, o rito da passagem,

antes que assista a fúnebre empreitada,

aniquilando os últimos dos sonhos!

DEGREDO

Embriagar-me-ei com teus anseios, teus segredos,

serei amor intenso, ardor e tudo o mais,

durante o tempo de vigência do degredo

que, com certeza, na tua alma abrigarás!

Quando ao meu lado, na lascívia e no aconchego,

tu sentirás calor, amor... sentidos tais,

que um pensamento, então, se  faz segredo:

“Esse degredo para sempre manterás!”

E a descobrir-te por inteiro muito cedo,

à luta intensa me darei pra que jamais

tu me liberes dos teus sonhos, teus enredos!

A desvendar-te ponto a ponto tu verás

que todo o tempo foi de encanto raro e ledo,

e a todo custo, prolongá-lo tentarás!

O PRAZER

Venero a natureza do prazer,

um milagre genético da vida

que ao ser humano entrega florescida

a árvore do encanto e do querer.

No dia-a-dia, vence a doce lida,

no processo da ardência a recrescer.

É ilusão, sonho, gozo a languescer,

ao rito hereditário da ultravida.

De repente, ressumbram sensações

a percorrer os nervos espinhais,

aos auspícios dos nervos encefálicos!

Repertório sagrado de emoções,

é o prazer que eterniza os imortais


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