QUARENTA SONETOS SEM PECADOS
Poesias
Antonio Kleber Mathias Netto
©Editorial Emooby, 2011
QUARENTA SONETOS SEM PECADOS
By Antonio Kleber Mathias Netto
Published by Editorial Emooby at Smashwords
© Copyright 2011 Editorial Emooby
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Table of Contents
Impressões sobre o trabalho literário de Antonio Kleber Mathias Netto
NO AMOR, O MAIS-QUE-PERFEITO É VIVER
NÃO ME CONDENEM, NEM ME ABSOLVAM!
Outros comentários após publicação do livro
2007
QUARENTA SONETOS SEM PECADOS
Poesias
REVISÃO: Professora Cecília de Oliveira
CAPA: Artista Plástica paranaense Guiomar Baldissera
2ª Edição
(Revista e Aumentada)
Editora Zem
Teresópolis – RJ – 2007
QUARENTA SONETOS SEM PECADO
Todos os direitos reservados. Copyright © Mathias Netto, Antonio Kleber
FICHA CATALOGRÁFICA
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
M379q
2.ed.
Mathias Netto, Antonio Kleber
Quarenta sonetos sem pecados / Antonio Kleber Mathias Netto – 2.ed. ver e aumentada. Teresópolis, RJ: ZEM, 2007.
162 p.
ISBN 978-85-99270-04-2
Poesia brasileira. I. Título.
07-0626 CDD: 869.91
CDU: 821.134.3(81)-1
27.02.07 - 02.03.07 – 000599
Ao estimado irmão, Luiz Fernando Mathias Netto, que de algum lugar de paz me transmite energia para enfrentar os mistérios da existência. Talvez impressões de atos e palavras remanescentes, fruto de sua boníssima alma. Dói-me a fugacidade de teu convívio entre nós.
Creia, ainda há muito sofrimento a ser banido!
Por Que Morri?
Se, ó virgem, teus olhos travessos, tão lindos
têm mágico encanto que prendem-me a ti,
não sei! – Mas afirmo que vivo e não vivo
depois que esses olhos formosos eu vi!
Se é vida passarem os meus dias e noites
e eu ter-te na mente, pensar só em ti,
distante do mundo no mundo vivendo,
assim é que eu vivo depois que te vi!
Não posso, donzela, não posso dizer-te,
se acaso estou morto, por que é que eu morri...
Mas vai-me um suspiro fugindo do peito
dizendo baixinho que morro por ti...
Ai! Dize, donzela, como é que teus olhos
num simples relance puseram-me assim?
Não rias! Responde se vivo ou não vivo,
e, se é que estou morto, por que é que morri?
(Ignácio Giraldo Mathias Netto, bisavô do autor, escrito em 1875)
Impressões sobre o trabalho literário de Antonio Kleber Mathias Netto
“Rio de Janeiro, 17 de junho de 2008.
Prezado Senhor.
Agradeço a remessa de “Tuna” - livro de poesias de sua autoria, de 2008, em que o escritor, depois de enveredar pela seara de contos em outras obras, volta agora à poesia. Ao lhe desejar sucesso pelo livro “Tuna”, informo a V. Sa. que o exemplar enviado a esta Presidência da Academia Brasileira de Letras foi encaminhado à Biblioteca Rodolfo Garcia, onde ficará à disposição para consultas entre os estudiosos. Atenciosamente, Cícero Sandroni”.
CÍCERO SANDRONI, Jornalista e Escritor. Presidente da Academia Brasileira de Letras - ABL.
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“Prezado Antonio Kleber Mathias Netto.
Muito obrigado pelo belo “Tuna” que você gentilmente me enviou e que dá testemunho de um enorme talento. Parabéns. Grande abraço do Moacyr Scliar”. Médico Sanitarista, Escritor. Membro da Academia Brasileira de Letras – ABL – 2008.
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“Sinal Vermelho” é um livro adulto! 27.09.99.
Prezado amigo Antônio Kleber:
Li, no final de semana, o seu atraente livro de contos, em parceria com o Everaldo Botelho Bezerra. É um gênero pelo qual tenho grande simpatia. E vocês o dominam, como demonstram, por exemplo, em “O Menino Carvoeiro” ou em “Alerta Geral”. Fiquei completamente fascinado pela leitura. Envio-lhes um grande abraço de felicitações. Do amigo Arnaldo Niskier. Rio – 27.09.99”.
Do Educador, Jornalista e Ensaísta Arnaldo Niskier, membro da Academia Brasileira de Letras, sobre o livro de contos “Sinal Vermelho”, em parceria com o Escritor Everaldo Botelho Bezerra.
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“Meu prezado Mathias Netto.
Muito grato pelo envio de “À Sombra do Barbaquá”, que começo a folhear com inequívoco interesse e prazer de leitura. É sempre bom saber que ainda se escrevem bons romances neste País, onde pouco se lê e menos se escrevem coisas que de fato valham a pena. Grande e afetuoso abraço, do seu Ivan Junqueira.- Rio, 14.07.2005”.
Crítico Literário, Ensaísta e Poeta Ivan Junqueira, membro da Academia Brasileira de Letras, sobre o romance “À Sombra do Barbaquá” (2005)
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“Admirei o seu estilo literário! Fascinei-me pelo seu poema, pelo cadenciado harmonioso dos versos, riqueza de rimas e palavras; por retratar as emoções e sentimentos com pinceladas de expressões fortes. Como um pintor impressionista que sabe usar as cores, você mostra as palavras como aquele também o faz, usando a tinta. Continue escrevendo!” Márcia Pinto - Salvador – Bahia - marciapintinho@ig.com.br
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“Seu soneto é lindo. Você é, de fato, um grande escritor. O estilo, o léxico, tudo é de primeira grandeza. E, mais importante, você parte da imaginação e não do seu real estado físico e psicológico. Aí a coisa fica, ainda, mais difícil ... Um enorme e saudoso abraço”.
Professor Helter Barcellos - São Gonçalo- Estado do Rio de Janeiro http://www.orkut.com.br/Scrapbook.aspx?uid=2042937318459212953
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Kleber! Gostei de seu soneto “Espera”. Parabéns! A métrica é perfeita, um decassílabo de primeira! Um abraço para você também! Tales Mendonça – Recife – Pernambuco - talesmen@gmail.com
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“Oi, caro poeta! Tenho acompanhado, na medida do possível, teu trabalho. Parabéns e obrigado por existir pessoas com a sensibilidade apurada como a tua. Um abração!” Ataulso Veríssimo – Porto Alegre - RS - atarverissimo@gmail.com
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“A poesia de Antonio Kleber é diferente. A gente lê e fica com ela na cabeça o dia inteiro. Há sempre uma interpretação nova, um outro caminho. Gosto disso.” Genivaldo Martins da Silva - Maceió – Alagoas. (Sem endereço)
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“Grande poeta, pela mansidão de suas palavras. Privilegiada sou eu, por tão doces poemas receber! É como se entrasse pela rede vasta da Internet um anjo poetizando em fibras óticas. Saber lidar com palavras, são poucos; transmitir emoções através delas... são raras as pessoas. Você é um grande poeta; suas palavras, hei de espalhar, como o vento que semeia flores”.Grace Donata. São Paulo – SP - rapunzel_vivi@yahoo.com.br
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“Oi, amigo Kleber! Puxa! Estou diante de um verdadeiro poeta! Como são lindas as coisas que você escreve! Adorei, simplesmente! Tenha uma ótima semana e fica com Deus! Bjs no seu coração!” Leolina Maria – Boa Viagem – CE - leolina.maria@hotmail.com
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“Adoro o que você escreve! É tudo o quanto gosto de ler, de verdade. Sempre estou lendo e apreciando”. Rivaldo. Aracaju- Sergipe. rivaldoblj@gmail.com
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“Tenho lido muitos poemas desse nosso incrível poeta. Cada poema é como se me embriagasse com as palavras; muitas me trazem... conforto e paz! Agradeço a oportunidade de poder ler seus poemas”. Silvana Marcolino. Londrina - Paraná.
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“É um poeta que extrai da alma poesias bem elaboradas. É um grande poeta!” Alexandra Lamonier - São Luiz – Maranhão.
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Vou guardar em arquivo esta peça rara: OLHA ATRÁS, um de teus melhores sonetos, segundo o gosto de leitor exigente. Não tem a afetação de palavras castiças, possui o veio coloquial da contemporaneidade. Aquilo que acho que o Mario Quintana fez como ápice de sua meritória obra: dar dignidade poética à prosa. Dentro desta ritmo, metáforas e metonímias, síntese, sugestionalidade, imagística e transcendência. Este só tem de clássico o formato, e, ao lê-lo, a apresentação formal desaparece, permanecendo o que é poesia, alma, espírito. Estava com vontade de dizer isto de há muito, ao conviver, neste sítio de relacionamento, com os teus belos e formalmente perfeitos sonetos. Percebo que neste te libertaste da forma, beijando a Poesia, a arte dos condenados ao pensar. Sim, porque não basta a tal sensibilidade, é caso de aplicação de inteligência para cooptar a sensibilidade de quem lê a obra e que pode vir a se apossar dela. Esta é a função do poema: viver no coração do homem, o outro!
Com o apreço de sempre, o poetinha Joaquim Monckes”.
Escritor Gaúcho Joaquim Monks
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“Desde há alguns anos, tive despertada minha atenção para a produção literária de Antonio Kleber Mathias Netto. Admirava-lhe a sua capacidade criativa de grande uniformidade; as suas convicções firmes; sua maneira de dizer; mas, sobretudo, sua clara condição de poeta, dada a musicalidade de suas frases... Mas, em verdade, atrás de sua granítica veemência reformista, oculta-se um espírito humanista inconformado. E é quando surge, a cada passo, o poeta exuberante que sabe fazer música com as palavras e se comunicar com as almas sensíveis”.
Jornalista Rubens Amador, cronista. Pelotas - RS.
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“Detentor do conhecimento e do talento, Antonio Kleber Mathias Netto caracteriza-se por um estilo ousado, profundo e prazeroso. Atrevidamente, massageia nossas emoções, dando-nos consciência plena do que é transmitido através do que escreve.
Dá ênfase à Literatura que enriquece os sentimentos e a consciência de cidadania. Com seu estilo próprio, uniforme e focado no equilíbrio entre a razão e a emoção, encanta o leitor, convocando-o a encarnar no contexto da narrativa, vivenciando-a realmente.
Enal-TECE o AMOR de forma bela e convincente. No dinamismo de sua inspiração, atualizada e preocupada com a perfeição ao expressar os sentimentos através das letras, busca novas descobertas e, ao fazê-lo, emergem novos sentimentos e atitudes. Isso faz com que alcance, cada vez mais, a plenitude de seu estilo peculiar de descrever, impregnado de autenticidade no catalogar as emoções vividas pelo ser humano. É, sem dúvida, um escritor, cuja veia poética o transforma, através da garra, da coragem, da determinação e da sabedoria, num dos maiores escritores-poetas de nosso tempo.”
Poetisa Dáguima Verônica - Santa Juliana - Minas Gerais
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“Antonio Kleber, você sempre explora universos imaginários, ou denuncia o que acontece diante de nossos olhos, em poesia.
Seguro de suas posições, é suficientemente autêntico! Você, que em poesia fala com cuidado de amor, paixão, pele, da desumanização generalizada do nosso tempo...
É incrivel a sua multiplicidade de faces! É praticamente impossível negar a emoção que sinto ao te ler; suas palavras chegam no fundo da minha alma.
Obrigada por compartilhar e ser essa pessoa encantadora! Poeta pleno, amigo especial!
Cláudia Gonçalves, Poetisa - São Lourenço do Sul - Rio Grande do Sul 07/2006.
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Consagrado de alma e corpo, de pulso e cérebro, à causa dos fracos, dos perseguidos, compreende e justifica a raiva de seus delatores. Homenageado pela massa popular, ele não tem tempo para olhar a máscara repugnante dos encasacados. Quando pisado na sua honra, assemelha-se a um leão bravio a correr de extremo a extremo das selvas. Aprendeu a chicotear com o verbo os fariseus deste século, alguns conhecidos como verdadeiros vilões. É no combate que se sente bem. É destruindo esses castelos de lama, erguidos pela aristocracia do delito, pelos comparsas dos crimes sociais, políticos e religiosos, que sente vibrar seus nervos. Sua literatura é uma síntese de humanismo e de revolta, onde sobressai, acima de tudo, a verdade em toda a sua magnitude”.
Jornalista e poeta Juliné da Costa Siqueira, membro da Academia Sul-Brasileira de Letras.
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É crença de muitos que se deve separar o homem do artista. Relativamente a Antonio Kleber, não se aplica a assertiva generalizada. Ele é, no gesto e na atitude, no dito e no feito, no sonho e na realidade, sempre o mesmo: veraz, corajoso, apaixonado... Pautando suas ações pela cartilha do mais puro humanismo, Antonio Kleber convive com grandes e pequenos, com ricos e pobres, com fortes e fracos, sem que isso o perturbe. Vale a pena ler suas mensagens, deixar-se impregnar de sua beleza e concluir que, felizmente, nem tudo está perdido enquanto existirem poetas do quilate de Antonio Kleber”.
Poeta Clóvis Almeida Alt, membro da Academia Sul-Brasileira de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico de Pelotas.
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Recordações é a típica obra onde o poeta “brinca” com a intelectualidade de alguns leitores e com o poder de imaginação de outros. Ímpar, nos leva a um labririnto de emoções onde as saídas fundem portas e portais. As entradas levam para muitos lugares. Sem querer ser prolixo, explico: Ao mesmo tempo que pensamos em recordações temos uma leve sensação de... desejos. O poeta pegou a caneta com força, mas na hora de desenhare as linhas foi tão suva a ponto de manter o leitor preso entre um sinal de recordação e uma imagem de desejo. Realmente ímpar, realmente muito bom. Aliás, as obras do poeta são sempre bem-vindas e muito boas. O lirismo empregado para apresentar a visão do eu-lirico é compassado e - não sei se somente eu - gostei muito de poder sentir a soberania da paciência no sotaque do povo do norte/nordeste do nosso país.Dor sim, mas sofrimento nunca! Parabéns pela obra, poeta. Bela!
Abraços fraternais”.
Poeta Szir GanoN Bhòrjia
***
Temo inteirar-me dos diagnósticos de meus males. No fundo, há amargores corroendo a alma e mágoas minando o coração. Mantenho luta renhida para conquistar a superfície e ser feliz.
Do teu corpo, percorro a geografia;
como o vento, te envolvo por inteiro.
As carícias e o beijo verdadeiro
renderão homenagem à fantasia.
Na trilha da volúpia incandescida,
atiro-me em sentido alentador,
do êxtase fazendo-me senhor,
ante a aventura da alma ensandecida!
Sou livre, e a liberdade conhecemos!
Por isso, não importam tais momentos...
Mas nunca esquecerei teus ais profanos!
Desejarás, um dia, o que vivemos:
realidade fugaz dos sentimentos,
cheios de paz, de gozo e amor insano!
Guardo teu beijo, terno beijo, na memória.
No outono cinza, a despedida, último adeus,
como se foras sem deixar-me uma esperança
de reviver o teu carinho e os lábios teus!
Amargurando o teu partir, restou-me o beijo.
Sonho desfeito, nem as folhas esqueceram,
no farfalhar, de relembrá-lo nas canções,
brincando algures junto às brisas outonais!
As estações se sucederam desde então!
Alma constrita, olhar perdido no horizonte,
dei-me ao letargo dos impulsos lascivosos!
Trago a utopia de uma espera que me aturde!
Cedo o destino e a vida; ao tempo, entrego a morte,
mas na esperança de beijar-te uma outra vez!
Mas eis que a inspiração que se ausentara
agora se aprochega à noite fria,
confortando minha alma tão vazia,
nutrindo o sentimento que não sara.
Recebo-a na cadência dos encantos,
tecendo as ilusões do amor ansiado.
Do meu desejo, emerge augusto fado;
do verso, brotam luzes, brotam cantos.
A inspiração colheu-me, desta feita,
centuplicando temas esquecidos
num passado de sonhos fenecidos!
No tremor da emoção que me sujeita,
escrevo este poema à musa eleita,
mas só, sob amargor imerecido!
Na procissão desesperada dos aflitos,
escorraçados pelo açoite das promessas,
segue a lamúria, segue a dor e segue o pranto,
na reza atônita que abisma as emoções.
Quais trapos vivos que outros trapos repudiam,
olhos profundos pela insônia repetida,
vão-se no atroz revezamento da vigília,
buscando ao longe a luz de novas esperanças.
Nessa ginástica de olímpica cruzada,
aproximando-se aos funéreos vendavais,
caminha o séquito faminto e pessimista.
Na sorumbática e espantosa osteografia,
vai-se o epidérmico chocalho de ossos vivos,
na monolítica sinfônica da fome!
Instala-se um silêncio de mistério
no coração tomado de aflições.
As multifacetadas emoções
encontraram repouso em monastério.
Antes assim: razão, tino e torpor
sirvam de manto augusto ao meu critério,
revelando ao desejo a luz do império
de uma força maior que o próprio amor.
Se no amanhã da espera tão renhida
eu colha os louros desta intensa lida,
festejarei as dádivas com vinho!
Mas, se em lugar do prêmio e da guarida,
eu receber as dores sobre o ninho,
aceitarei sofrer sob os espinhos!
Não quero sucumbir com minhas ânsias,
andrajo dos sentidos, forasteiro
à espera de um amanhã que nunca chega,
mergulhado em quimeras e esperanças!
Levem-me daqui, já! Levem-me logo,
enquanto ainda não sinta a escuridade
das noites frias, noites de relento,
destruindo a carne nua ao desabrigo!
Há limo nos escombros da minha alma.
Vê-se, pois, como antigo é o sofrimento
que devassa de ponto a ponto o ser!
Desejo, pois, o rito da passagem,
antes que assista a fúnebre empreitada,
aniquilando os últimos dos sonhos!
Embriagar-me-ei com teus anseios, teus segredos,
serei amor intenso, ardor e tudo o mais,
durante o tempo de vigência do degredo
que, com certeza, na tua alma abrigarás!
Quando ao meu lado, na lascívia e no aconchego,
tu sentirás calor, amor... sentidos tais,
que um pensamento, então, se faz segredo:
“Esse degredo para sempre manterás!”
E a descobrir-te por inteiro muito cedo,
à luta intensa me darei pra que jamais
tu me liberes dos teus sonhos, teus enredos!
A desvendar-te ponto a ponto tu verás
que todo o tempo foi de encanto raro e ledo,
e a todo custo, prolongá-lo tentarás!
Venero a natureza do prazer,
um milagre genético da vida
que ao ser humano entrega florescida
a árvore do encanto e do querer.
No dia-a-dia, vence a doce lida,
no processo da ardência a recrescer.
É ilusão, sonho, gozo a languescer,
ao rito hereditário da ultravida.
De repente, ressumbram sensações
a percorrer os nervos espinhais,
aos auspícios dos nervos encefálicos!
Repertório sagrado de emoções,
é o prazer que eterniza os imortais