Excerpt for A caçada ao assassino deturpador by Fernando Barrile, available in its entirety at Smashwords

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A caçada ao assassino deturpador







A caçada ao assassino deturpador







Fernando Barrile







1ª Edição

São Paulo 2011

Domani - Art + Design

INDEP

© 2011 por Fernando Barrile

Todos os direitos reservados. É proibida a utilização ou reprodução deste conteúdo em parte ou no todo sem autorização prévia do autor.

Originais, revisão e diagramação

Fernando Barrile Garcia de Souza

Edna da Silva sousa



Capa

Gabriel Flores Rossi - Domani Art + Design



















A Edna, quem primeiro depositou

confiança neste projeto.





1



O Sol da manhã passa pela grande porta da varanda e ilumina o rosto adormecido de um jovem rapaz deitado de bruços, acordando suavemente ele se espreguiça e protege os olhos da forte luz que entra no quarto junto com uma fresca brisa da manhã, com a mão.

Depois de alguns segundos deitado o jovem de cabelos loiros parece se sentir confuso ao ver onde está. Ele conhece aquela casa, mas não entende por que está ali e olha curioso ao redor procurando alguém ou alguma coisa, se senta hesitante na beira da cama e percebe que está vestindo somente com uma calça jeans preta.

Ao olhar para baixo não são suas roupas, mas sim os braços e mãos cobertos de sangue que chamam sua atenção. Ele se levanta num pulo e a primeira reação é procurar algum ferimento pelo corpo. Apesar de encontrar inúmeras feridas pequenas que coçam incontrolavelmente, não há nada nele que explique todo o sangue, ele então sai andando em direção à porta chamando em voz alta.

— Mari!?... Mari!? ... Cadê você?

Chegando ao corredor e sem encontrar ninguém, Mauricio se vira e volta até a cabeceira da cama para pegar seu relógio que marca 08h45, depois de jogá-lo de volta ele empurra a porta entre aberta do banheiro, mas ainda do lado de fora observa uma cena horripilante.

30 minutos depois, na Rua Nova Barão, 55 o telefone toca em um pequeno, mas aconchegante escritório e o homem que lia sentado a mesa atende.

— Alô? ... Sim sou eu... Claro, nunca é demais ajudar a nossa força policial. Estarei ai daqui alguns minutos.

Depois de desligar o telefone e se levantar, o homem pega uma jaqueta de couro pendura em um cabide próximo a porta e vai até o espelho verificar se está com um bom visual. Além de ótimo observador e muito inteligente, o investigador particular de 1 metro e 80 centímetros com cabelos castanho-escuros levemente ondulados e não muito longos, é bastante vaidoso.

Com 39 anos de idade, mas aparentando fisicamente ter 10 a menos. Theodoro Sousa é um boêmio que tem apenas uma paixão maior do que aproveitar a famosa e agitada noite paulistana...

Dentro do distrito policial, o delegado Armando Clemente conversa com uma equipe do departamento de Homicídios. Quando vê seu antigo colega entrar, ele vai cumprimentá-lo depois de pedir licença aos demais policiais.

Clemente é um policial de quase 60 anos que passou os últimos oito, como delegado o que ajudou a fazer crescer seu bigode, sua barriga e sua carranca. A cara de bravo, contudo esconde um homem educado e simpático, que nunca foi um grande investigador, mas sempre foi considerado um policial extremamente honesto.

— Bom dia Téo.

— Bom dia Clemente, como vão as coisas?

— Não muito boas nesta manha para ser sincero.

— Do que se trata delegado?

— Hoje cedo, a polícia Militar nos chamou dizendo que uma ligação os levou até uma casa aqui mesmo na zona oeste, onde eles encontraram uma jovem esfaqueada e um rapaz todo sujo de sangue.

Téo presta atenção no que o delegado lhe fala, mas sem entender ainda por que o amigo o chamou ali.

— Eu decidi chamar você para me dar uma força.

— Neste caso que você acabou de falar?

— Sim.

— Por quê? O que tem de errado nele?

— Na verdade nada, o rapaz não negou o crime e temos até a impressão digital dele na faca, mas...

— Delegado eu vou ajudá-lo. — Téo fala com um olhar debochado. — O rapaz coberto de sangue é o assassino.

— Eu queria que você desse uma olhada no garoto. — fala o delegado depois de um sorriso amarelo. —, ele disse que não consegue se lembrar de nada e está todo cheio de manchas e feridas pelo corpo.

— Qual o objetivo disso? Se vocês sabem quem é o assassino, para que dar uma olhada nele?

Clemente olha em volta para garantir que ninguém escute, põe a mão no ombro de Téo e o puxa para um canto.

— A garota morta trabalhava no canal 8 fazendo novelas, você já ouviu falar a atriz Mariana Luna?

— Sim, foi ela que morreu?

— Foi, e o canal de televisão já mandou alguns advogados aqui só para garantir que esse garoto não sai impune.

— Por quê? O que a garota tem de especial?

— Eu não sei, ela era uma estrela em ascensão, eles devem ter investido dinheiro nela ou coisa do tipo. — O delegado coça o bigode e olha mais uma vez em volta antes de continuar. — O importante é que devido ao cacife dos advogados e por ela ser um pouco famosa, os outros policiais já estão querendo apresentar o garoto como culpado e dar um ponto final ao caso tão rápido quanto ele começou.

— Não me leve a mal Clemente, mas do meu ponto de vista isso parece ser a coisa mais inteligente a fazer.

— Eu sei... é que alguma coisa neste caso não parece estar no lugar certo. O rapaz não tem o tipo assassino e eu não quero joga-lo no meio dos leões sem nem mesmo saber o que aconteceu naquela casa.

— Mas vocês já não sabem?

— Téo, eu sei que olhando por cima as coisas parecem bem simples, mas ele não se lembra de nada e não temos nenhuma testemunha, a perícia vai levar umas duas semanas para ter algum resultado. Com os advogados aqui em duas semanas esse garoto já vai ter sido julgado e condenado, por todo mundo.

Téo olha para o delegado seriamente e pensa por alguns segundos antes de concordar com a cabeça.

— Está bem, vamos dar uma olhada nele.

Sentado a mesa de uma das salas da delegacia o rapaz loiro esperava com a cabeça baixa, as mãos algemadas agora já estão limpas e ele recebeu roupas novas para que as suas possam ser usadas como evidências.

O garoto enxuga o suor da testa com a mão enquanto Téo e o Delegado entram.

— Téo, este é Mauricio Castro, o garoto que encontraram junto ao corpo.

O garoto parece assustado, mas o que fica mais nítido para o investigador é um ar inconformado que ele tem no rosto. Depois de um cumprimento de cabeça, Mauricio volta a baixar a cabeça, ao mesmo tempo em que Téo retribui.

— Tudo bem?

— Senhor Mauricio, este é Theodoro Sousa, um investigador particular que gostaria de falar um pouco mais sobre o que aconteceu ontem à noite.

O delegado põe uma pasta com algumas fotos sobre a mesa e a empurra até que pare em frente da cadeira onde Téo pendura a jaqueta e se senta. Depois de abri-la e dar uma rápida olhada, ele volta a fechá-la e fixa o olhar no rapaz sentado a sua frente.

— Clemente você não tem fotos do local?

— Não, os peritos estão lá agora, essas são apenas fotos dele na hora em que chegou aqui todo ensanguentado. — Neste momento o garoto começa a sofrer leves espasmos musculares e Téo observa curioso.

— Você vem tendo esses espasmos há quanto tempo?

— Desde a hora em que acordei.

— E você disse ao delgado que não consegue se lembrar de nada do que aconteceu ontem?

— Isso mesmo.

— Aqui está o depoimento dele. — O delegado puxa a pasta e a coloca de volta a frente de Téo. — Ele disse que foi a uma festa com a vítima, bebeu um pouco. — Enquanto fala, o delgado bate com a ponta do dedo no depoimento que o rapaz deu. —, e depois disso mais nada até a hora em que acordou hoje.

Ainda com o olhar fixo no rapaz, o investigador coça o rosto e se apoia na mesa para chegar um pouco mais perto.

— Você sofre de depressão Mauricio?

— Não!

— Você toma algum tipo de medicamento com frequência?

— Não! Por quê?

Téo se levanta e faz um sinal para que o delegado o acompanhe, puxa a jaqueta de couro da cadeira e a veste no caminho até a porta.

— Ligue para os seus homens, mandem eles não tocarem em nada até que cheguemos lá.

— Já fiz isso.

— Ótimo, eu quero olhar o corpo.

— Tudo bem, mas me diga. Você também achou que tem algo estranho aqui?

— Com certeza, peça um exame toxicológico para o garoto.

— A homicídios pediu só que ele já admitiu ter bebido.

— Não estou preocupado com bebida ou drogas, não do mesmo jeito que você.

Sem entender nada o delegado espera em silêncio.

— Você precisa descobrir se esse rapaz faz uso de antidepressivos.

— Por quê?

— Ele está sofrendo espasmos musculares, têm irritações na pele que está toda amarelada, mesmo naquela sala com ar condicionado ele está suando mais do que o normal e segundo o que tudo indica, sofreu uma pequena, mas definitiva perda de memória. Esses sintomas são muito comuns em pessoas que sofrem de depressão e utilizam medicamentos mais fortes, principalmente os que utilizam em quantidades excessivas.

— Mas o que isso quer dizer exatamente?

— Quer dizer que se ele não mentiu quanto a ser depressivo, ou ele tomou um medicamento por engano, ou foi induzido a tomar por outra pessoa e como este remédio só é vendido com prescrição médica, acho pouco provável que ele o tenha tomado por engano.

O delegado acelera o passo e faz um gesto para que Téo também se aprece.

— Venha, eu pedi para que preservassem a cena do crime, mas isso já faz quase duas horas. Não posso segurá-los lá por muito mais tempo e agora mais do que nunca eu quero que você olhe tudo aquilo.

2



Os dois estão indo para a casa da atriz em uma viatura guiada pelo delegado.

— Obrigado por vir até aqui para me dar uma ajuda Téo.

— Tudo bem. Na realidade você sabe que eu não consigo evitar meter o bedelho, quando surge uma dúvida durante uma investigação. Mas você me deve mais uma.

— Assim que precisar... é só me pedir.

Téo e o delegado possuem uma espécie de trato, um acordo de cavalheiros. O delegado usa sua influência dentro da polícia para dar livre acesso a Téo em algumas cenas de crimes e informações cruciais para seus casos, em troca Téo o ajuda a resolver investigações que parecem não ter solução.

— E quanto ao Flavio? — puxa assunto Clemente.

— O que tem ele?

— Ainda nos Estados Unidos?

— Sim, ele ainda não se decidiu e não vai dar uma resposta até voltar de lá, achei que um mês seria o suficiente para ele pensar melhor enquanto continua trabalhando comigo.

— Ofereceram um bom trabalho para ele, e ninguém é perfeito, até você pode errar às vezes.

Com uma expressão de quem acaba de ser ofendido, Téo ergue a mão com a palma estendida para o delegado como se pedisse calma.

— Ei... Do que você esta falando? No que exatamente você acha que eu errei?

— Na escolha do seu pupilo.

— Flavio não é meu pupilo, ele é um parceiro e nem que ele quisesse não conseguiria ter a mesma personalidade que eu. Ele não tem a mesma facilidade de compreensão que eu tenho.

— E isso por que você está falando de um amigo.

— Nunca o iludi dizendo que o raciocínio era sua principal arma, com tudo conheci muitas pessoas na minha vida e nunca vi um coração tão nobre ou um espírito tão corajoso.

— Ah... Agora sim você parece estar falando de um amigo.

— Não estou falando de um amigo, estou falando de um irmão, de um grande companheiro.

Alguns minutos depois a viatura finalmente chega à casa de Mariana Luna.

Ainda no portão de entrada da grande e luxuosa residência, o delegado explica que o corpo está no banheiro. Enquanto Téo segue o delegado e observa toda a casa com cuidado enquanto é observado pelos policiais, alguns já acostumados a velo em cenas de crimes como aquelas.

Finalmente eles chegam até a porta do banheiro e Clemente pede para que Téo entre.

Lá dentro a cena que surge perante os olhos do investigador é a de uma jovem de 20 e poucos anos deitada na banheira com uma faca encravada no peito, bem próxima do coração.

Téo se aproxima e se agacha perto da jovem olhando-a dos pés a cabeça, logo atrás dele, parados de pé o delegado e um perito.

— E então Marcos o que você tem para gente?

O perito que aparenta não se sentir a vontade com a presença do investigador, puxa uma prancheta de baixo do braço e começa a falar com displicência.

— Nada de mais. Ela foi atingida pela faca bem próximo do coração e morreu poucos minutos depois.

Se levantando rapidamente, Téo se vira de frente para o perito, um homem de 30 e poucos anos, magro, usando óculo e vestido com um elegante terno azul-marinho.

— Ela bateu com a cabeça na banheira depois da facada?

— Sim, ela foi atingida de pé enquanto tomava banho.

— Vocês desligaram o chuveiro? — Téo pergunta enquanto se volta novamente para a moça morta.

Se demonstrando muito insatisfeito o perito responde e coça a cabeça ao mesmo tempo.

— Não, o rapaz que a matou desligou quando acordou.

Com uma pequena pinça que o investigador pegou sobre a pia, ele verifica a boca da moça. Bem perto Marcos solta um suspiro de desaprovação.

— O que você quer saber Téo? Quer saber sobre os ferimentos na parte interna da boca.

Chegando ainda mais perto o perito se estica por cima da banheira e aponta para a boca de Mariana.

— Ela machucou a boca com os próprios dentes, por que o rapaz a agarrou por trás e segurou sua boca com a mão esquerda para que não gritasse e depois a apunhalou com a mão direita, em seguida a soltou e ela caiu batendo com a cabeça e com o cotovelo.

Téo se levanta e observa a explicação de Marcos com calma como se realmente estivesse interessado.

— Ela morreu pouco tempo depois e a causa da morte foi um sangramento arterial grave. — Parecendo orgulhoso pelo discurso Marcos abre levemente os braços. — Mais alguma dúvida?

— Só algumas curiosidades.

— O que? — Marcos ajeita o óculo parecendo confuso. — Que curiosidade?

— Este aparentemente foi um homicídio passional, mas ele só deu uma facada certeira no coração, bem diferente de outros crimes passionais. Na verdade quando alguém comete um crime com o mínimo de esforço possível é um sinal de que essa pessoa o cometeu premeditadamente, tentando deixar o menor número de indícios possível. — Com indiferença ele se vira para o delegado. — Mas esse é só um pensamento que me ocorreu, não quer dizer muita coisa.

— Não mesmo! — Marcos tira o óculo e também se vira para clemente. — Delegado com todo o respeito, eu sei que o senhor Téo o ajudou muito no passado, mas este crime já tem um culpado e eu realmente não entendo o que ele está fazendo aqui. — Esta não é a primeira vez que Marcos se irrita com a presença de Téo, na verdade eles já tiveram pequenos desentendimentos ao longo dos anos.

— Eu só não entendi uma coisa. — fala Téo ao sair passando entre Marcos e Clemente, ele para na porta e põe a mão sobre a boca com o rosto pensativo. — Esta casa é muito grande e a casa vizinha mais próxima fica a uns 50 metros. Ele a ataca dentro do banheiro com o chuveiro ligado durante a madrugada por que teve um ataque de ciúmes, e mesmo assim ele teve o cuidado de tapar a boca dela para que não gritasse.

Ele se vira e sai do banheiro, os outros homens ficam parados assimilando o que foi dito com um ar preocupado, ao pensar na relevância do que ouviram.

Enquanto o perito e o delegado começam uma pequena discussão, Téo aproveita para vasculhar a casa, sozinho andando por todos os cômodos ele fica intrigado ao ver um cinzeiro com sal, mas não dá importância e segue para a garagem e depois para o quintal.

Calmamente ele investiga a casa por quase 15 minutos, o delegado para no meio da sala para observa-lo andar de um lado para o outro matutando suas ideias, ele sabe que é questão de tempo para que o investigador descubra algo. Depois de percorrer toda a residência o homem volta e para em frente à porta do banheiro se atendo as roupas da vítima, jogadas no chão.

O Perito está prestes a começar mais uma reclamação quando o delegado se adianta.

— O que foi Téo? Descobriu alguma coisa?

— Talvez sim, talvez não... talvez um ponto de partida.

Ele se aproxima da banheira novamente e ainda olha para o corpo quando começa a falar.

— Eu reparei nas fotos que vocês tiraram do Mauricio, que ele tinha um pouco de barro e algumas folhas mortas no tênis, e reparei também que os sapatos da moça estão bem limpos. — Ele aponta para os sapatos jogados no chão ao lado dele, secos e limpos.

— Sim, mas o que tem isso?

Com a mão direita Téo apanha mais uma vez a pinça e com cuidado retira uma pequena folha do cabelo de Mariana.

— Esta folha é da planta assa-peixe, uma planta não muito comum aqui em São Paulo e ela tem algumas folhas no cabelo o que significa que ela foi esfaqueada e caio na mesma terra ou mato em que o Mauricio pisou, mas os seus sapatos estão limpos, provavelmente porque quem a matou trocou a roupa dela para poder colocar o corpo na banheira.

— Do que você está falando? — pergunta Marcos intrigado.

— Eu notei que o carro na garagem tem duas marcas de terra, no lugar do motorista e do passageiro, isso por que uma terceira pessoa estava com ela e com Mauricio no mesmo jardim ou praça, onde provavelmente o crime aconteceu. — Téo se levanta e pega a blusa que Mariana estaria usando para se certificar de que ela está limpa. — Meu palpite é que essa terceira pessoa forrou o porta-malas para o corpo, colocou Mauricio no banco do passageiro e dirigiu até aqui, onde o jogou na cama e trocou a roupa da moça para poder deixa-la na banheira.

— E por que alguém trocaria a roupa dela e não simplesmente deixaria o corpo jogado no chão? — O perito faz a pergunta como se tivesse achado uma falha na teoria de Téo.

Ele solta a blusa e se senta na tampa da privada, depois de um segundo em silêncio, ele prossegue com um ar presunçoso.

— Por que o ferimento dela causou um grande sangramento e se achássemos ela vestida estranharíamos a falta de sangue próximo ao corpo, com ela na banheira iríamos supor que o sangue escorreu pelo ralo, só que neste caso seria necessário sumir com a roupa suja. — Ele faz uma pausa e recomeça sorrindo. — Acredito eu pelo menos, que ela não toma banho de banheira vestida. Mas essa pessoa deixou passar o detalhe das folhas e da terra nos sapatos, que devem ter ficado sujos de sangue também.

O delegado se aproxima de Téo e afrouxa um pouco a gravata. — Mas... e como essa terceira pessoa sairia da casa?

— O portão é automático, é só aciona-lo e passar por de baixo dele rapidamente, quanto à porta eu aposto que a encontraram destrancada?

Tanto o investigador quanto o delegado, olham para Marcos esperando que ele confirme ou negue o palpite dado por Téo. Depois de parecer perdido sem saber o que falar e de gaguejar um pouco, Marcos finalmente se manifesta.

— Sim, a porta estava destrancada, mas delegado, nós temos equipamentos relativamente avançados aqui e uma equipe de profissionais bem preparados e treinados.

— Eu sei que tudo o que ele disse faz sentido, eu até admito que ele é muito inteligente. — O perito anda irritado para o outro lado do banheiro quase gritando. —, mas o senhor tem que entender que toda essa teoria louca, não passa de suposições, é totalmente baseada em achismos.

Com calma Téo se levanta, se aproxima de Marcos e fala com arrogância. — E mesmo assim, eu sempre estou certo e você errado.

— É mesmo? E o que você espera de mim, que a investigação mude totalmente de rumo, baseada em suas ideias malucas?

— Não. Você não trabalha para mim, pode fazer o que você quiser. — Ainda com calma ele suspira. — Delegado, eu vou estudar com calma este caso e qualquer novidade, eu entro em contato. Agora você pode me dar uma carona de volta ao distrito?

— O que você realmente vai... — O delegado solta um berro curto interrompendo Marcos. — Será que você pode se acalmar! Continue com o seu trabalho.

Indo até a garagem vazia, Clemente fala baixo com Téo.

— Não liga para ele, você sabe que ele fica intimidado quando eu peço sua ajuda.

— Eu sei, e você sabe que eu adoro irrita-lo. — O comentário vem junto com um sorriso.

— Eh... Você adora mesmo. Agora, vamos voltar ao que interessa. Eu vou leva-lo de volta a delegacia e... por favor, o pessoal do canal 8 está em cima de mim a manhã toda... não vamos dar pano para manga, tudo o que não precisamos agora e de má publicidade para a polícia.

Téo fica sem entender.

— Sem declarações, fotos ou qualquer coisa do tipo. Logo, logo eles esquecem tudo isto, e vão atrás de outro assunto, nós não precisamos que a população pense que só resolvemos o caso por que você nos ajudou.

— Mas não é essa a verdade? — Com um ar irônico, Téo sai em direção à viatura.

3



Depois de chegar até o distrito policial o delegado acompanha Téo até o seu carro.

— Delegado, eu vou investigar algumas coisas e pessoas, se eu descobrir algo eu tento avisar.

— Está bem. Se você precisar de alguma coisa, os relatórios e arquivos estarão a sua disposição... na medida do possível, é claro.

Mais tarde naquele dia o investigador estava de volta ao seu escritório, sentado a mesa escrevendo algumas anotações. Ele já sabia que o crime não tinha sido cometido na casa da atriz e que existia pelo menos mais um personagem nesta história, para o investigador o mais importante por hora é descobrir o local do assassinato e ele já tinha uma boa ideia de por onde começar.

Uma grande mansão no Butantã tem uma de suas salas levemente iluminada durante a noite, uma grande biblioteca luxuosa. Na parede próxima a janela um senhor, usando um caro roupão vermelho está sentado em uma enorme mesa de madeira rústica.

Visivelmente triste o homem de 60 e poucos anos com uma grisalha e longa barba, com o olhar perdido acende um cachimbo, depois de dar a primeira tragada o telefone da um toque curto e repetitivo resgatando o velho homem de seus pensamentos.

Depois de atender ele dá permissão para que o segurança leve o visitante até o escritório, algum tempo depois, alguém bate na parta e a abre cuidadosamente.

Um segurança vestindo terno faz sinal com a mão para que o investigador entre e depois fecha a porta novamente. O velho se levanta parecendo surpreso com a visita, mas ao mesmo tempo curioso.

— Pois não? O senhor é policial?

— Não.

— Me desculpe, o senhor disse que era um investigador.

— Sim, eu sou Theodoro Sousa, investigador particular. Estou investigando a morte de Mariana Luna. — Como sempre Téo analisa tudo a sua volta.

— Mas a polícia disse que já havia solucionado esse assassinato.

— Eu não sou da polícia senhor Horta, e honestamente acho que este caso está longe de ser resolvido.

O homem tira um maço de cigarros do bolso do paletó preto que usa, joga o paletó sobre uma cadeira, se senta em outra e ascende um cigarro.

— Foi nesta mansão que o senhor deu uma festa ontem?

— Sim, foi aqui mesmo.

— E que tipo de festa você deu aqui? Você contratou um bufe ou algo do tipo?

— Não! Não! Foi uma coisa bem simples. Nós conseguimos assinar um contrato com alguns patrocinadores para gravar um filme e eu convidei algumas pessoas para tomar um vinho e jantar. — Antonio Horta é o principal executivo de uma emissora de TV, um homem rico e poderoso que não tem medo de demonstrar a paixão pelo luxo.

— E quem cozinhou esse jantar?

— Meu cozinheiro! Por que senhor Theodoro?

— E foi ele quem serviu as bebidas?

— Durante o jantar sim, algumas vezes.

— E depois do jantar? Quem passou a servir as bebidas?

— Senhor Theodoro. — Antonio começa a se aborrecer. —, eu não entendo o porquê disto, hoje mais cedo à polícia me disse... — Téo o interrompe com um gesto negativo com o dedo e continua depois de pigarrear.

— Eu tenho indícios que me levam a crer, que não foi Mauricio Castro quem assassinou Mariana Luna. E por favor, me chame de Téo.

— Que indícios?

— Quem serviu as bebidas depois do jantar senhor Horta?

— Depois do jantar quase todos os convidados foram embora. — Ainda não muito convencido Antonio Horta responde. —. Só ficaram cinco ou seis pessoas, então, eu dispensei o cozinheiro e nós mesmos nos servimos depois disso.

— E quem eram esses cinco ou seis que ficaram? É claro além de você, o Mauricio e a Mariana.

— Deixe-me ver, o meu assessor Leandro... e uma outra atriz que participaria do filme também.

— Que atriz?

— Senhor Téo. — Antonio se levanta irritado, chacoalha o cachimbo e solta um suspiro. — Com todo o respeito, mas eu já estou bastante chateado com o que aconteceu e não preciso do senhor aqui me fazendo perguntas desnecessárias.

— Senhor Horta. — Téo se levanta após apagar seu cigarro no cinzeiro, ele também repara um pequeno pote com sal sobre a mesa. —, essas perguntas são mais importantes do que pode imaginar, mas eu acredito que já consegui o que queria. Poderia me acompanhar?

Do lado de fora enquanto caminhão até o portão os dois passam por um grande jardim onde algo chama a atenção de Téo, ele para de repente.

— Senhor Horta o senhor sabe que planta é aquela? — Ele aponta para uma pequena moita parecendo mais um monte de mato.

— Sim claro, é... deixe-me ver se lembro, minha... memória já não é mais a mesma.

— Assa-peixe. — diz Téo.

— Isso, essa mesmo. Por que o senhor se interessa por plantas também?

— Depende da relação que as plantas têm com vítimas de assassinatos.

— O que?

— Nada. Vamos já está tarde.

— Eu sinto muito pela sua perda senhor Horta. — Durante o percurso que leva até a entrada da mansão o investigador aproveita para tirar mais uma dúvida. — Vocês eram muito próximos da moça?

— Na verdade não muito, era uma moça encantadora e uma excelente profissional.

— Vocês se conheceram há muito tempo?

— Não, nos conhecemos um pouco antes de ela começar a gravar esta novela com a gente, uns dois meses atrás. Por quê?

— Apenas curiosidade, ela já era atriz antes de fazer essa novela não era?

— Sim, era, mas até então nunca teve muitas oportunidades.

— Ainda bem que ela te conheceu então. Afinal se não fosse por você talvez ela nunca tivesse.

— Eh... talvez não, mas agora parece que isso não faz muita diferença mesmo não é?

Eles param em frente ao portão, o segurança o abre e depois de dar alguns passos Téo para e se vira com a expressão de curiosidade.

— Ah senhor Horta, só mais uma coisa... o senhor frequentava muito a casa dela?

— O que o senhor pretende senhor Téo?

— Nada, só uma pergunta inocente. — Ele abre um sorriso falso.

Antonio o encara por alguns segundos sentindo-se ofendido. — Não senhor Téo, eu não fui a casa dela mais do que uma ou duas vezes. — responde asperamente.

— E aposto que isso não foi recentemente, não é?

— Não já faz algum tempo, mas, por favor, senhor Téo. — Agora Antonio fica pensativo como se escolhesse as palavras certas. — Eu sei aonde o senhor quer chegar. A polícia já prendeu o assassino de Mariana, aconselho que da próxima vez investigue casos que ainda não tenham sido solucionados.

— Ah sim... obrigado pela dica. — Sem se ofender, Téo tira um cartão do bolso da camisa, e o entrega a Antonio. — Eventualmente se o senhor tiver um desses casos, fique a vontade para me ligar.

Ao voltar para dentro o velho, pega o telefone e disca um número irritado, depois de esperar um pouco finalmente alguém atende do outro lado.

— Você não vai acreditar no que acabou de acontecer. Um investigador particular acabou de vir até a minha casa, me fazendo perguntas e dizendo que não foi aquele moleque idiota quem matou a Marina.

— O que? — Uma voz misteriosa fala com preocupação. — Mas o Mauricio já está preso.

— Eu sei. — Antonia solta um grito e percebe que exagerou um pouco. Mesmo estando sozinho no escritório ele olha para os lados, envergonhado e continua quase cochichando. — Mas esse investigador parece saber de alguma coisa e parece estar bem determinado a levar esta investigação para frente.

— Droga, a polícia já tinha resolvido tudo, estava tudo relativamente apaziguado. — A voz fica em silêncio por alguns segundos, mas continua. — Com tudo que aconteceu, um investigador enxerido mexendo nas coisas só vai nos trazer problemas.

— Exatamente! E é por isso que eu quero que você siga esse investigador e descubra por que ele está se metendo nesta história. — O velho ainda está com o cartão de Téo na mão e o ergue para poder ler. — O nome dele é Theodoro Sousa, e o escritório dele fica na Rua Nova Barão, 55.

— Pode deixar Antonio. Vou fazer isso pessoalmente.

— Qualquer coisa me ligue. — Depois de desligar, Antonio vira a cadeira de frente para a janela olhando a vista do jardim e volta para seu solitário pensamento.

No carro dirigindo de volta para casa, o investigador tem a impressão de que as coisas podem estar começando a dar lucros, ele acaba de encontrar o primeiro suspeito e o próximo passo é descobrir quem é a outra atriz que estava na festa.

De repente ele é surpreendido por uma ligação. Quando olha o numero vê que é Flavio.

— Flavio? Eu não acredito... onde você está? Já está em são Paulo? — Ele fala com animação. — Ótimo, eu vou até o aeroporto te pegar, vai ser bom para botarmos o papo em dia durante o caminho... Está combinado então, te encontro lá as 08h30.

Depois de alguns minutos de conversa ele desliga o celular contente, seu parceiro de investigações voltou dos Estados Unidos e além de matar saudades do amigo, ele tem esperanças de poder contar com a sua ajuda no seu novo caso.

4



No dia seguinte bem cedo Téo já está de pé, ele toma uma xícara de café preto, veste sua jaqueta de couro e pega a chave do carro para ir buscar Flavio.

O dia está quente e ensolarado, ao som de um rock clássico, ele para em um semáforo e aproveita para apanhar um óculo escuro no porta-luvas.

Quando ele se abaixa sobre o banco do passageiro para alcançar o óculo, vê uma coisa que naquele momento não chama sua atenção. No retrovisor a imagem de uma moto preta alguns metros atrás.

No pátio do aeroporto com o óculo escuro e a jaqueta, jogados sobre a mesa de uma das lanchonetes, ele confere no relógio e são 08h45, sabendo que ainda faltam quinze minutos para o avião de seu amigo pousar ele decide sair para fumar um cigarro.

Do lado de fora saciando seu vicio o investigador se senta em um pequeno muro próximo a janela do saguão principal, lá de dentro um par de olhos o observa atentamente enquanto escreve uma mensagem no celular.

15 minutos depois o homem que fumava joga a bituca fora, ainda sendo vigiado ao voltar para dentro do prédio ele se senta nas cadeiras que ficam logo a frente do portão 22.

No horário marcado os passageiros começam a desembarcar e então surge ao fundo o tão estimado amigo do investigador. Flavio Martins é 1 ano mais velho que Téo, mas apesar da expressão seria e experiente, aparenta ser mais novo que o amigo pela feição jovial e principalmente pelo jeito extrovertido e espontâneo.

O homem de cabelo loiro escuros, 1 metro e 77 centímetros e uma barba curta, mas cheia, percorreu um caminho diferente do sócio, enquanto Téo se formou em contabilidade e trabalhou com auditorias fiscais até os 24 anos quando se conheceram, Flavio se tornou policial ainda jovem, ele trabalhava no departamento de narcóticos da polícia de São Paulo e Téo já se aventurava com investigações particulares há dois anos quando ele aceitou formar a parceria.

Assim que se veem os dois trocam um longo abraço em seguida Téo se ofereça para ajudar com as malas.

— Então quer sentar um pouco, tomar um café e bate um papo?

— Café? O que aconteceu com meu amigo que ficou aqui no mês passado. — Depois de algumas risadas eles decidem pegar o carro e ir até um bar para conversar e tomar algumas cervejas.

Ainda na estrada voltando para região central da cidade, Flavio explica como se saio nos testes que fez nos Estados Unidos.

— Eu chefiei o setor de segurança da empresa praticamente o mês todo, era uma função de muita responsabilidade, mas muito pouco problemática.

— E é isso mesmo que você quer fazer?

— O salário é muito bom.

— Não foi isso que eu perguntei. Mas me diga quando você tem que dar a resposta?

— Na próxima quarta-feira.

Tentando não desanimar o amigo Flavio parte para um assunto mais descontraído.

— Ei... eu fiquei sabendo que no domingo o meu... Como você diz mesmo? Ah sim, time de vilarejo. Eu fiquei sabendo que eles bateram o seu poderoso São Paulo.

— Imagina! O juiz estava usando uma camisa do Santos por debaixo da dele.

— Ah claro com toda certeza. — Flavio da risada. — Isso se chama qualidade, amigo.

— Sim, mas você não devia esquentar a cabeça com futebol, lá nos Estados Unidos deve ser mais difícil acompanhar estes jogos. Eh melhor ir se acostumando.

Flavio recebeu uma interessante proposta para chefiar o setor de segurança de uma empresa norte americana, além da facilidade em trabalhar nessa área, um amigo com contatos dentro da empresa deixou a escolha praticamente nas mãos do ex-policial. Apesar de ter ficado atraído pelo alto salário, Flavio não quer se afastar de Téo e tão pouco abandonar a sociedade entre eles.

Para muitos estes dois jamais se afastariam, alguns conhecidos costumavam brincar que eles combinavam tão bem que se fosse possível fundi-los em um só, se formaria o investigador perfeito. Téo o cérebro e Flavio o músculo, a junção ideal de inteligência e coragem.

— Olha Téo, eu ainda estou pensando, eu também não fico muito feliz em deixar você sozinho com a firma, mas você deve admitir. É um bom dinheiro e uma grande oportunidade.

— Eu não falei nada, só disse que você teria que se adaptar.

— Está bem, vamos fazer assim, vamos tomar uma cerveja, relaxar um pouco e deixar estes assuntos chatos para outra hora.

— De acordo.

— Então me conte, e esse caso novo? Do que se trata?

A pergunta de Flavio não tem resposta, por que agora, Téo está mais preocupado com o que vê pelo espelho. Ao perceber Flavio olha para trás, mas sem notar nada de diferente.

— O que foi? O que você está olhando?

— Nada. Vou te contar sobre o caso, quero saber o que você vai achar.

Um bar próximo a Av. Paulista foi o destino da dupla, depois de se sentar e pedir uma cerveja, Flavio se vira curioso para o amigo.

— Então, você acha que esse Antonio Horta está mentindo?

— Sim. Eu acredito que sim, quando vi o sal no cinzeiro da casa da Mariana, não dei a menor importância, mas quando vi o Senhor Horta fumando um cachimbo e o pote com sal na mesa do escritório dele, eu me lembrei de que algumas pessoas usam sal e etanol para limpar os resíduos de nicotina que ficam no cachimbo.

— Mas no que exatamente isso interfere?

— O Sal no cinzeiro era recente. Esta moça tem uma faxineira que limpa a casa toda segunda-feira o que significa que a pessoa que usou o sal, fez isso no máximo um dia antes do dia em que ela foi morta.

O garçom se aproxima e serve à bebida, Téo agradece e dá um belo gole. — E é claro que temos que lembrar que cachimbo não e hobby mais comum nos dias de hoje, principalmente para uma atriz de 26 anos.

— Tudo bem, ele esteve lá um dia antes ou no dia do assassinato, mas isso não significa que ele a matou, ele pode ter feito uma simples visita ou coisa parecida.

— Não. — Téo faz um sinal negativo com a cabeça. — Quando você limpa o cachimbo com sal e etanol e necessário deixa-lo por algumas horas quieto e depois precisa deixar secar por mais um tempo. Isso significa que se ele decidiu limpar o cachimbo na casa de Mariana, e por que já planejava ficar por lá bastante tempo, como passar a noite por exemplo.

— O que você está dizendo? — Com um sorriso desentendido Flavio coça a cabeça. — Você acha que ele e a atriz estavam tendo um caso?

— Estou bem inclinado a concluir isso, assim estaria explicado o porquê de ele ter ficado tão abalado com o assassinato e a maneira como a carreira de atriz dela deu um salto assim que eles se conheceram.

— Mas e a família dele e o namorado dela?

— Eu ainda estou pesquisando, mas parece que a esposa do Antonio viajou recentemente e voltou apenas na manha em que encontram o corpo.

— Com ela fora faria sentido que ele passasse uma noite ou quem sabe até algumas noites com ela.

— Isso mesmo, na casa dela por que seria mais discreto. O namorado dela mora um pouco longe, não seria difícil despistar ele.

— Tudo bem Téo, até aqui tudo fez sentido, menos uma coisa.

— O que? — Téo divide sua atenção entre o que Flavio fala e o cardápio.

— Se eles estavam tendo um caso, por que ele a mataria e colocaria a culpa no garoto?

— Eu não sei ciúmes do novo namorado dela, bem mais jovem e viril, a esposa dele poderia estar desconfiada ou a atriz cogitou contar a alguém, como é que eu vou saber?!

— E qual o próximo passo? O que você vai fazer agora?

— Em primeiro lugar, eu preciso falar com esta outra atriz de quem lhe falei e com o assessor do senhor Horta. Espero descarta-los e daí vou poder me concentrar no motivo que o levaria a mata-la.

— Vamos fazer o seguinte, vamos pedir algo para comer e repassar passo a passo o que você já fez.

Sentados a mesa por quase uma hora, os parceiros já almoçaram e continuam conversando sobre o caso.

— Tudo bem você acredita que não foi o garoto. — Flavio puxa um cigarro e oferece outro a Téo. — E você sabe que o senhor Antonio esteve na casa antes do assassinato, o que nos leva a crer que ele e a atriz estavam tendo um caso. Mas como a substancia que o Mauricio tomou foi dada a ele na festa?

— Precisamos descobrir isso. — Depois de ascender o cigarro o investigador completa. — E então, você está pensando em ir para os Estados Unidos, mas você ainda tem alguns dias... que tal me dar uma força?

— Ah que isso Téo, você sabe muito bem que eu não estou ouvindo você falar desse caso à uma hora, só para te desejar boa sorte.

— Ótimo... ótimo — Téo pede a conta ao garçom e se aproxima de Flavio. — Então é isto que nos vamos fazer. Você vai descobrir quem é, e onde encontrar essa outra atriz, e eu vou tentar falar com o assessor do Antonio. Precisamos saber também se a esposa dele viajou mesmo.

— Está bem. Eu vou dar um jeito, mas preciso que me leve até o escritório para pegar o meu carro... estou com uma saudade dele.

Do outro lado da avenida parado em um pequeno café, sentado em uma mesa observando de longe, alguém joga uma nota de 50 reais para pagar a conta e sobe em uma moto preta pronto para continuar sua perseguição silenciosa.

— Pronto. — diz Téo em voz alta sentado na mesa de sue escritório 40 minutos mais tarde, mesa que fica de frente para a mesa de Flavio. — Achei o endereço comercial do assessor.

— Eh? Eu também já avancei um pouco aqui.

Se levantando e dando a volta na mesa, ele para do lado de Flavio olhando seu computador.

— Está vendo, a Senhora Gloria Horta viajou na ultima quinta-feira para a Inglaterra a serviço e só voltou na amanha de quarta, a manha em que encontraram o corpo como você havia dito.

— E a outra atriz?

— O nome dela é Giselli Pardal.

— Vamos falar com o assessor e depois tentar encontrar essa Giselli. — Sentindo que estão no caminho certo, Téo pega a jaqueta e dá um tapinha no ombro do amigo. Ele abre a porta e quando se vira dá de frente com uma bela moça de cabelos encaracolados e um inocente sorriso no rosto.

— Silvia?

— Oi Téo, tudo bem? — A moça fala com um misto de animação e cautela. — É bom te ver. Eu ouvi dizer que o Flavio havia voltado. — Olhando por cima do ombro dele, Silvia cruza seu olhar com o de Flavio.

— Silvia, mais que bom que você está aqui. Entre. — Flavio a puxa pelo braço e a leva até o sofá, onde os dois se sentam.

Silvia é uma grande amiga de Flavio considerada por ele praticamente como uma irmã, para Téo ela é uma ex-namorada com quem tem tido uma relação um pouco mais delicada por alguns desentendimentos.

— Bom, eu tenho que sair agora. — fala o investigador um pouco desconcertado. — Mais tarde nos falamos Flavio.

— Você não quer que eu vá junto? — A pergunta de Flavio foi sincera, mas era óbvio que ele estava ansioso por ouvir um não.

— Não, fique a vontade, talvez eu demore um pouco e vocês podem aproveitar para matar a saudade.

— Combinado, mais tarde me encontre por aqui.

— Tudo bem, até mais tarde. — Já de costas praticamente do lado de fora do apartamento. — Thau Silvia.

Também parecendo sem graça, ela responde pouco antes da porta se bater e fechar.

Com o investigador saindo sozinho do prédio, o motoqueiro resolve escalar mais alguém para ajuda-lo.

Escondido próximo à esquina, ele puxa o celular e com pressa digita uma mensagem.

Eu descobri onde ele mora, e ele não está sozinho, outro homem está ajudando ele... vou precisar da sua ajuda para dar conta disto... mas lembre-se, isto e assunto nosso... Só nosso!”

Com calma a moto mais uma vez segue com cuidado o carro de Téo, e agora Flavio também pode se tornar alvo de um espectador perigoso.

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